Olá! Tudo tranquilo?

Hoje trago para você um tema bastante interessante…É sobre o tratamento da Fibromialgia.

Como estou ligado à Osteopatia (terminei o 1º ano de Licenciatura), este artigo resultou de um trabalho que fiz junto com a Filipa Peres (FilipaPeresOfficial – Tetra Campeã Nacional de DownHill).

Então vamos lá…Boa leitura!

Antes de respondermos a esta questão, vamos perceber melhor o que é Fibromialgia (FM).

Segundo Gamber, et al. (2002), a FM é uma doença crónica bastante complexa, com uma patogénese ainda indefinida. Está relacionada com problemas físicos e/ou traumas emocionais sendo caracterizada por: dor muscular generalizada, rigidez muscular, fadiga, distúrbios de sono, pontos de gatilho e alterações funcionais.

A FM é considerada como sendo um problema sistémico que envolve anormalidades bioquímicas, neuro endócrinas e fisiológicas, que provocam um distúrbio na percepção da dor. Aproximadamente 10% a 12% da população sofre de dor crónica, sendo a FM o segundo diagnóstico mais comum em clínicas de reumatologia.

Os sintomas mais comuns estão relacionados com a dor muscular (mialgia) e com os pontos de gatilho, com uma prevalência de ambos em 99%, conforme podemos observar na Ilustração 1 abaixo apresentada.

 

Os Sintomas são agravados por: • Stress; • Sobrecarga de atividade física; • Overstretching; • Exposição ao calor e altos níveis de humidade; • Mudança súbita da pressão atmosférica; • Trauma; • Outra doença;

tabela sintomas FIbroM

Ilustração 1 – Adaptado de Solano, et al (2009)

 

É possível diagnosticar a FM num espaço curto de tempo?

De acordo com Braga (2012), na população portuguesa a prevalência de FM situa-se em 3,6%, podendo muitos dos casos estar subdiagnosticados, e muitos dos doentes permanecerem numa incerteza diagnóstica durante vários meses ou anos. Esta autora realizou um estudo com o objetivo de caracterizar as dificuldades sentidas no diagnóstico da FM e quantificar o período de tempo para definição do mesmo. Os resultados revelaram uma média de 12,3 meses, ou seja, o tempo de diagnóstico é muito longo.

massage-389716_1920

A eficácia do Tratamento Osteopático na Fibromialgia

Os princípios e filosofia osteopáticos são baseados em apreciação da unidade trina dos seres humanos (corpo, mente, e espírito), a inter-relação entre estrutura e função, e a capacidade do corpo de se autocurar (McPartland et al, 2005).

Portanto, a visão holística, torna-se fundamental para a abordagem de pacientes com dor crónica, especialmente para aqueles com a síndrome fibromialgia (Martinez et al, 2002). O uso de Medicinas Complementares e Alternativas é comum em pacientes com FM. O uso de uma variedade de métodos, como osteopatia, terapias manuais, medicina tradicional chinesa, hidroterapia, psicoterapia e outros, demonstraram a sua eficácia no tratamento desta doença.

Da Silva et al (2010), relatam que outras opções não farmacológicas, como a Osteopatia e outros métodos de Medicina Complementar e Alternativa devem ser levados em consideração, devido à sua demanda, seus benefícios para a saúde e a economia em relação ao custo que pode ser incluído no manejo dessa doença.

Entre os diversos estudos que abordam as técnicas manuais como importantes aliadas no tratamento da FM, destaca-se o de Liptan et al (2013), referindo que as técnicas mais conhecidas são as pompagens, a massagem terapêutica, liberação miofascial, a quiropraxia e a osteopatia. Outro estudo refere que esta última possui ferramentas para tratar os pontos sensíveis à dor através das fáscias (envolvendo todas as estruturas do corpo), sendo capaz de obter bons resultados, diminuindo a dor, reduzindo a inflamação e reorganizando os tecidos do corpo.

Apesar de um crescente número de evidências sobre a eficácia da terapia manual para o tratamento das condições músculo-esqueléticas agudas, o papel do Tratamento Osteopático Manipulativo (TOM) em pacientes com condições crônicas como a FM, ainda permanece em grande parte desconhecido (Gamber et al., 2002). Nesta perspetiva, os mesmos investigadores, realizaram um estudo, onde o objetivo foi avaliar a eficácia do TOM como um complemento à assistência médica padrão em uma população de pacientes de reumatologia, diagnosticados com FM. Os resultados demostraram que o TOM, combinado com o atendimento médico padrão, foi mais eficaz no tratamento da FM do que o atendimento médico isolado.

Em conclusão

A FM tem um grau de complexidade elevado, sendo ainda importante uma maior quantidade de estudos nesta área, onde estejam relacionados principalmente, os benefícios do tratamento osteopático para pessoas com FM. Em análise aos estudos que foram mencionados ao longo deste artigo, observamos que a FM revela dor crónica com maior incidência no sexo feminino, que existe um protocolo de diagnóstico a ser seguido e que todos os sintomas devem ser considerados em conjunto com outros exames, de forma a obter o máximo de informação possível do paciente. Este diagnóstico pode ser extenso até que a FM seja especificamente diagnosticada. Por outro lado, existem várias formas para atenuar a sintomatologia da FM, farmacológicas e não farmacológicas. Entre as não farmacológicas, o TOM combinado com acompanhamento médico adequado ou mesmo sozinho, revelou-se como sendo uma mais valia para o bem estar dos pacientes com FM, sendo considerado como um método de tratamento eficaz para problemas reumatológicos.

Gostou do artigo? Então partilha com os seus contactos, quem sabe você não estará ajudando algumas pessoas?

Muito obrigado e grande abraço!

Até o próximo!!