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As doenças cardíacas (DC) constituem a causa de morte mais relevante em toda a Europa, incluindo Portugal.

Entre elas devem ser destacadas pela sua especial relevância: a doença isquemica do coração (DIC) cuja manifestação clínica mais relevante é o enfarte agudo do miocárdio (EAM) e a cardiopatia isquemica incluindo o acidente vascular cerebral (AVC).

Essas doenças têm um importante impacto econômico que decorre da incapacidade por elas provocada, bem como dos crescentes custos relacionados com o seu tratamento, o qual poderá ser significativamente amenizado com a implementação de Programas de Reabilitação/Prevenção (Programa Nacional para as Doenças Cérebro-Cardiovasculares – Direção Geral da Saúde, 2013).

Consequentemente, a reabilitação cardíaca (RC) é considerada um somatório de atividades que proporciona aos indivíduos com DC uma vida social e laboral produtiva dentro da sociedade. Ela é multidisciplinar, sendo o exercício físico a “pedra fundamental” (WHO, 2004).

Portanto, a prática de exercício físico em indivíduos portadores de  DC é essencial para um melhor tratamento de diversas situações clínicas que, potencialmente, podem comprometer a sobrevida dessa população.

Os dados de várias pesquisas (Leon et al, 2005; Balady et al, 2011), demonstram que a RC contemporânea e/ou programas de prevenção secundária, reduzem as taxas de risco cardiovascular e eventos cardíacos, bem como promovem comportamentos saudáveis e estilos de vida ativos, sendo o exercício físico efetivo para incrementar a capacidade funcional e qualidade de vida após um EAM.

PROGRAMAS DE REABILITAÇÃO CARDÍACA

Os Programas de Reabilitação Cardíaca (PRC) têm como componentes principais a avaliação médica e a estratificação de risco, a prescrição individualizada de um programa de exercício adaptado a cada doente, o controlo dos fatores de risco, a promoção da adesão à terapêutica farmacológica e aos comportamentos saudáveis através da educação dos doentes e seus familiares e o apoio psicológico e social; exigem naturalmente a constituição de uma equipa multidisciplinar, coordenada por um cardiologista (Ferreira, 2009).

Em Portugal, a taxa de participação em PRC dos potenciais candidatos é inferior a 4% (Abreu et al., 2010), quando, no centro de Europa, as taxas são superiores a 30% na maioria dos países (Bjarnason-Wehrens et al. 2010).

Estes Programas têm sido criados, demonstrando que a prática regular de atividade física serve não só como um meio de proteção contra a ocorrência de DC, mas também como forma de aumentar a qualidade de vida dos indivíduos acometidos por elas (Gardenghi, 2012).

Além disso, também promovem uma recuperação precoce após evento agudo e visam limitar o impacto da DC sobre as capacidades físicas e psicológicas, maximizando a independência funcional, a participação social e profissional, a qualidade de vida e a sobrevivência dos doentes que os integram (Magalhães et al. 2013).

Importa salientar que, além de dar ênfase à prática da atividade física, os PRC também envolvem outras ações desenvolvidas por profissionais de outras áreas, além da médica, como de enfermagem, nutrição, assistência social, psicologia, fisioterapia e educação física, visando modificar outros aspectos que contribuem para a diminuição do risco cardíaco de forma global (Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2005).

Os PRC são normalmente divididos em 3/4 fases (Macedo et al, 2011; ACSM, 2009):

Fase I– conhecida como a fase hospitalar, visa minimizar os efeitos da restrição do paciente na cama e termina com a alta hospitalar. Realiza-se cinesioterapia respiratória, mobilização articular, exercícios dinâmicos coordenados com a respiração e o paciente deve estar compensado.

Fase II – começa imediatamente após a alta e é conhecida como o início de fase ambulatorial ou extra-hospitalar precoce.O objetivo é desenvolver atividades que simulam o gasto metabólico de atividades diárias. Estratifica- se o risco com prova de esforço e programação de exercício terapêutico, sob avaliação clínica e monitorização eletrocardiográfica. Pode ser iniciada 24h após a alta hospitalar e tem uma duração média de 2 a 3 meses.

Fase III – conhecida como fase tardia ambulatorial, com duração variável entre 6 a 12 meses. Visa desenvolver exercícios com mais intensidade. Realiza-se em domicílio ou ambulatorialmente com supervisão direta de um profissional de educação física. Principal objetivo é evitar a progressão da enfermidade e ocorrência de eventos cardiovasculares.

Fase IV – é conhecida como a fase preventiva e deve ter uma data de início, mas não de término, onde o paciente vai escolher uma atividade física de maior afinidade para a execução do programa, pelo menos 3 vezes por semana ao longo da vida. As reavaliações não devem ultrapassar 1 ano e não necessita de supervisão de rotina. O principal objetivo nesta fase é proporcionar uma maior e melhor qualidade de vida e controlo de fatores de risco.

Exemplo de uma prescrição de treino:

Treino Aeróbio –
Intensidade – 70 a 85% FCM (frequência cardíaca máxima) ou 60 a 80% FCR (frequência cardíaca de reserva) ou 12 a 13 na Escala de Esforço Percebido de Borg
Duração – 20 a 30′ – até 40′
Tipo/forma – grandes grupos musculares
Frequência semanal – 5 a 6 vezes

Treino de Força –
Intensidade – 40 a 60% de 1RM (1 repetição máxima)
Duração – máximo de 30′
Tipo/forma – 8 a 15 repetições, entre 3 a 4 séries
Frequência semanal – 2 vezes

Treino de Flexibilidade –
Intensidade – mínimo de desconforto em relação à dor muscular
duração- 5 a 10 minutos
Tempo manutenção na postura – entre 20 a 30 segundos

Ao longo dos meus 24 anos de experiência como Personal Trainer, tive a felicidade de poder trabalhar com várias pessoas que se enquadravam neste perfil (cardíacos e hipertensos).

Vejo ainda que a nossa área de Professores de Educação Física, está muito carente de bons profissionais que saibam trabalhar com este tipo de população (chamada de Populações Especiais), pois a continuidade do trabalho que é realizado na Fase II (no hospital/clínica), na grande maioria das vezes é descontinuado por parte dos pacientes por vários motivos: falta de conhecimento, falta de lugares para continuar o programa de exercícios, falta de profissionais capacitados, falta de motivação, falta de segurança, etc.

Portanto, devido a esta falta de conhecimento, muitas vezes o paciente cardíaco acaba ficando “perdido”, sem saber o que fazer, desmotivando e com grande possibilidade de reincidir a doença…

Notei claramente isso, quando fiz um estágio de 3 meses numa Unidade de RC aqui no Porto. Quando os pacientes estavam finalizando o Programa da Fase II, perguntavam sempre onde poderiam realizar o Programa de Exercícios com o intuito de continuarem a dar sequência no Programa e consequentemente, manterem um estilo de vida mais ativo.

Nesta perspectiva, e pensando em colaborar com estas pessoas (principalmente cardíacos, hipertensos e diabéticos), coloco-me a disposição de quem quiser continuar/iniciar um Programa de Exercícios direcionado para melhoria da saúde e qualidade de vida.

Os treinos podem ser feitos em pequenos grupos (máximo 2 a 4 pessoas) ou individualmente.

Para saber mais, clique nestes links abaixo e assista os vídeos sobre o tema:

>>>CLIQUE AQUI PARA ASSISTIR O VÍDEO 1<<<

>>>CLIQUE AQUI PARA ASSISTIR O VÍDEO 2<<<

Bibliografia:

  • Abreu, A, Bettencourt, N. e Fontes, P. (2010). Panorama Nacional de Reabilitação Cardíaca em 2007-2009. Rev Port Cardiologia, vol 29:545–58.
  • American College of Sports Medicine (ACSM, 2009) – Position Stand: Exercise and physical activity for older adults. Med. Sci. Sports Exerc.; 41:1510-30Balady, G. et al. (2011).  Referral, Enrollment, and Delivery of Cardiac Rehabilitation/Secondary Prevention Programs at Clinical Centers and Beyond. Circulation, 124: 2951-2960.
  • Bjarnason-Wehrens, B. et al. (2010). Cardiac rehabilitation in Europe: results from the European Cardiac Rehabilitation Inventory Survey.  European Journal of Preventive Cardiology vol. 17(4): 410-418.
  • Direção Geral da Saúde – Portugal – Doenças Cérebro-Cardiovasculares em números (2013) – Programa Nacional para as Doenças Cérebro-Cardiovasculares (www.dgs.pt).
  • Ferreira, R. (coordenador nacional) (2009). Reabilitação Cardíaca: Realidade Nacional e Recomendações Clínicas. Coordenação Nacional para as Doenças Cardiovasculares.
  • Gardenghi, G. (2013). Exercícios e cardiopatias: A simples recomendação médica não basta! Revista Eletrônica Saúde e Ciência, vol II(2): 5 – 8.
  • Leon, A. S., Franklin, B., Costa, F., Balady, G., Berra, K., Stewart, K., et al. (2005). Cardiac Rehabilitation and Secondary Prevention of Coronary Heart Disease, Am. Heart Ass., 111, 369 – 76.
  • Magalhães, S., Macedo, J., Ribeiro, M., Barreira, A., Preza Fernandes, J. e Viamonte, S. (2013). Avaliação da Capacidade Funcional após Programa de Reabilitação Cardíaca – Efeitos a Longo Prazo. Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação, Vol 24 (2): 19-24.
  • Sociedade Brasileira de Cardiologia (2005). Diretriz de Reabilitação Cardíaca.Arquivos Brasileiros de Cardiologia, Vol 84(5): 431-440.
  • Macedo, R., Faria-Neto, J., Costantini, C., Casali, D., Muller, A., Costantini, C., Carvalho, K. e Guarita-Souza. L. (2011). Phase Ⅰ of cardiac rehabilitation: A new challenge for evidence based physiotherapy. World J Cardiol 3(7): 248-255
  • World Health Organization (2004). Global strategy on diet, physical activity and health. Geneve.